Depois de sabermos para qual pelotão cada um iria, pensávamos: "Pronto agora estou dentro! Daqui para frente é só moleza"... que nada! Aí é que o bicho começou a pegar, ainda éramos conscritos. Muitas
horas de sol. e poucas horas de água fresca. Tínhamos que aprender a marchar em uma semana. para que pudéssemos ser apresentados ao alto escalão no dia de Juramento à Bandeira que é oficialmente nosso ingresso na carreira militar.
Sabe-se que ninguém nasce sabendo, mas, desde criança brincávamos de "soldado cabeça de papel, se não marchar direito vai preso no quartel...", quem pensa que é só na música, cantiga de infância está muito enganando, realmente era assim, ou aprendíamos à marchar ou ficávamos de castigo no sol até aprendermos, já pensou? Paraquedistas que não sabem marchar...seria uma vexame perante ao alto comando do Batalhão, uma vez que o 27º BI tinha uma fama a zelar, "a de ser o melhor em tudo".
Fomos divididos por pelotão, e para minha In "felicidade", se é que posso falar assim, eu caí no 1º Pelotão de Fuzileiros Paraquedistas do 27º Batalhão de Infantaria Paraquedista, ufa! quase fiquei sem fôlego, mas era assim que devíamos nos apresentar. E para melhorar as coisas, para não dizer piorar, o comandante do 1º Pelotão era o mais temido tenente do batalhão, Tenente Ronaldo, mais conhecido pelos "antigos" como "Tião Medonho", o cara era tudo em termos de habilidades na Brigada, atleta da Brigada, boxeador, melhor atirador e instrutor de tiro, Mestre Salto, sabia tudo em matéria de selva e montanha, e acima de tudo o mais exigente de todos e; eu fui cair logo no pelotão dele. O 1º Pelotão era constituído da seguinte formação: Ten. Ronaldo, Sargentos Suzuki, Yutanaã e Antonio, Cabos Gerson, Martins e Marins.
E para que pudéssemos aprender a marchar na cadência, o Cabo Melo ficou responsável para nos dar "Ordem Unida", ou seja "Ordinário! Marche!", "Ordinário! Alto!", "Esquerda! Volver!" e por aí vai. Daí chego a conclusão de que meus pais já sabiam que eu seria militar, pois sempre que brigavam comigo gritavam, "Seu Ordinário!".
Mas vamos lá. Em nosso grupamento (Pelotão) havia uma rapaz de nome de guerra Vieira. Podemos dizer que Vieira foi o 1º bisonho a ser revelado no batalhão, ele era um pouco devagar, tinha uma raciocínio lento e seus movimentos acompanhavam sua mente. Vieira não conseguia marchar direito, oque nos custou alguns cangurus e flexões, Vieira não entendia porque o pé esquerdo tinha que iniciar a marcha e seguir o ritmo do bumbo, talvez ele trazia as lembranças de infância que nos ensina que, dá sorte e começar tudo com o pé direito. Achávamos que Vieira levava isto muito à serio. E ele errava toda a marcha, não sabia que pé teria que bater junto com bumbo, e quando ele errava, todos que estavam ao seu lado ou atrás errava também, sem contar que ele levava o braço esquerdo junto com aperna esquerda e o direito junto com a perna direita, era um fracasso. Ficamos dias e dias ralando, pagando canguru e nada do Vieira aprender a marchar. Até que nos foi dado um ultimato, ou vocês ensinam o Vieira a marchar ou vão ficar de pernoite tentando. Foi aí que o cabo Gerson teve uma idéia: "Vamos amarrar umas folhas de amendoeira no pé esquerdo do Vieira, para que ele saiba diferenciar a esquerda da direita"; e assim foi feito, pegamos umas seis folhas de amendoeira e amarramos no pé esquerdo de Vieira; e começamos assim uma nova ordem unida, ao invés do tradicional "Um/Dois, Esquerda/Direita, Um/Dois, Esquerda/Direita", gritávamos: "Pé com folha / pé sem folha! Pé com folha / pé sem folha!
Foi assim o resto do dia e Vieira finalmente conseguiu aprender a marchar e nós nos livramos do pernoite. A partir daí pudemos aprender que nem tudo de bom na vida começa com "Pé Direito".
horas de sol. e poucas horas de água fresca. Tínhamos que aprender a marchar em uma semana. para que pudéssemos ser apresentados ao alto escalão no dia de Juramento à Bandeira que é oficialmente nosso ingresso na carreira militar.
Sabe-se que ninguém nasce sabendo, mas, desde criança brincávamos de "soldado cabeça de papel, se não marchar direito vai preso no quartel...", quem pensa que é só na música, cantiga de infância está muito enganando, realmente era assim, ou aprendíamos à marchar ou ficávamos de castigo no sol até aprendermos, já pensou? Paraquedistas que não sabem marchar...seria uma vexame perante ao alto comando do Batalhão, uma vez que o 27º BI tinha uma fama a zelar, "a de ser o melhor em tudo".
Fomos divididos por pelotão, e para minha In "felicidade", se é que posso falar assim, eu caí no 1º Pelotão de Fuzileiros Paraquedistas do 27º Batalhão de Infantaria Paraquedista, ufa! quase fiquei sem fôlego, mas era assim que devíamos nos apresentar. E para melhorar as coisas, para não dizer piorar, o comandante do 1º Pelotão era o mais temido tenente do batalhão, Tenente Ronaldo, mais conhecido pelos "antigos" como "Tião Medonho", o cara era tudo em termos de habilidades na Brigada, atleta da Brigada, boxeador, melhor atirador e instrutor de tiro, Mestre Salto, sabia tudo em matéria de selva e montanha, e acima de tudo o mais exigente de todos e; eu fui cair logo no pelotão dele. O 1º Pelotão era constituído da seguinte formação: Ten. Ronaldo, Sargentos Suzuki, Yutanaã e Antonio, Cabos Gerson, Martins e Marins.
E para que pudéssemos aprender a marchar na cadência, o Cabo Melo ficou responsável para nos dar "Ordem Unida", ou seja "Ordinário! Marche!", "Ordinário! Alto!", "Esquerda! Volver!" e por aí vai. Daí chego a conclusão de que meus pais já sabiam que eu seria militar, pois sempre que brigavam comigo gritavam, "Seu Ordinário!".
Mas vamos lá. Em nosso grupamento (Pelotão) havia uma rapaz de nome de guerra Vieira. Podemos dizer que Vieira foi o 1º bisonho a ser revelado no batalhão, ele era um pouco devagar, tinha uma raciocínio lento e seus movimentos acompanhavam sua mente. Vieira não conseguia marchar direito, oque nos custou alguns cangurus e flexões, Vieira não entendia porque o pé esquerdo tinha que iniciar a marcha e seguir o ritmo do bumbo, talvez ele trazia as lembranças de infância que nos ensina que, dá sorte e começar tudo com o pé direito. Achávamos que Vieira levava isto muito à serio. E ele errava toda a marcha, não sabia que pé teria que bater junto com bumbo, e quando ele errava, todos que estavam ao seu lado ou atrás errava também, sem contar que ele levava o braço esquerdo junto com aperna esquerda e o direito junto com a perna direita, era um fracasso. Ficamos dias e dias ralando, pagando canguru e nada do Vieira aprender a marchar. Até que nos foi dado um ultimato, ou vocês ensinam o Vieira a marchar ou vão ficar de pernoite tentando. Foi aí que o cabo Gerson teve uma idéia: "Vamos amarrar umas folhas de amendoeira no pé esquerdo do Vieira, para que ele saiba diferenciar a esquerda da direita"; e assim foi feito, pegamos umas seis folhas de amendoeira e amarramos no pé esquerdo de Vieira; e começamos assim uma nova ordem unida, ao invés do tradicional "Um/Dois, Esquerda/Direita, Um/Dois, Esquerda/Direita", gritávamos: "Pé com folha / pé sem folha! Pé com folha / pé sem folha!
Foi assim o resto do dia e Vieira finalmente conseguiu aprender a marchar e nós nos livramos do pernoite. A partir daí pudemos aprender que nem tudo de bom na vida começa com "Pé Direito".
